Nem um deus. Nem um mortal

Quinta-feira, Novembro 25, 2004


Queda: O Caminha da Luz e das Trevas

Envolto em trevas ele acordou naquele abismo. Seu corpo regozijava em uma jazida pedra secular. Seu coração tremia ao pulsar tão intensamente dentro de seu peito. Um respiro voraz. Uma soar de lampejos tão distintos e peculiares quanto ele mesmo. Seu corpo sem vida e sem morte recuperava-se da queda. Porém ele pensava: ¿Que queda?¿

Tão ludibrie foram os atentos avisos do Destino. Ludibriado pelo acaso. Trazido à luz pelas trevas, apenas para o capricho vingativo do destino. Trazido à vida pelo amor, mas guiado pela vingança. Sua morte nasceu de uma queda. Será essa ¿queda¿ que o levou ao abismo?Não. Sua morte foi um nascimento. Sua queda o trouxe a uma vida imortal. Para vingar, vingar aqueles que tiraram sua amada e sua vida. Mas o que o traz a esse abismo?

O Ar é límpido e puro, tal como a alma de uma criança. As trevas são densas, mas uma tênue fagulha de luz circulava pelo local. Assim como o amor que ele tinha por sua amada iluminava a escuridão em que ele vivia. A reminiscência de tal pífia fagulha de luz, guiava-o a uma linha tão imperceptível quanto o tempo que ele já tinha perdido. Então com o coração calmo e a respiração contida, ele seguiu aquela simples fagulha. Tão linda quanto o brilho do crepúsculo e tão cantante como o soar dos anjos. Ele andou...andou..andou.. até encontrar uma porta fincada em rochas. Uma porta diferente. Ela não lembrava as trevas, mas também não lembrava a luz. Era uma porta cinza, como o mundo que ele vivia.

A pequena e insignificante fagulha de luz emanava de uma brecha incerta do eixo daquela estranha porta. Ele se atreve a almejar abrir a porta, mas hesita por instantes. Pois sua mente indagava questionamentos inquebráveis e pertinentes. ¿Que queda me trouxe aqui?¿, ¿Por que há luz nas trevas?¿, ¿O que existe por trás dessa porta?¿. Questionamentos que desconcertam e impulsiona seu corpo em direção a porta. E então ele questiona a si mesmo uma ultima vez. ¿O Que tenho a perder?¿ Tão rapidamente quanto ele decidiu abrir a porta, ele abre aquela porta imperfeita, incerta e cinzenta. Ao puxar a maçaneta tão abruptamente, ele a quebra e a porta se desprende das rochas. A luz que sai de dentro dela é divina, brilhante, pulsante, linda e encantadora. E dentro da luz ela saiu.

Sua amada saiu da luz em sua direção. Suavamente ela tocou sua mão naquele rosto gélido e tão suavemente o beijou. Beijou como o havia feito diversas vezes. Mas dessa vez o beijo tinha o gosto saciado da saudade. A saudade que os ligou pela insignificante, mas poderosa fagulha de luz, que o guiou todo o tempo para ela. Após o beijou ela o fitou, sorriu para ele e pronunciou tão poderosa expressão de carinho. ¿Eu Te Amo¿. Ele então...sorriu. Sorriu não só com os lábios e sim com a alma. Ela então pegou sua mão e o puxou para a luz. Ele temerosamente caminhou com ela. Sua mente indagava ao passar pela porta, e então ele a pergunta: ¿Pode um Corvo viver na lua?¿. Ela prontamente o respondeu: ¿Sim. Basta-o amar a luz.¿ Tão mágica resposta afastou seus temores e assim ele caminhou para a luz com sua amada. E todos seus questionamentos foram respondidos. Ou quase todos....Faltava um.

Qual queda o levou para aquele abismo?
Essa pergunta jamais terá resposta. Pois quem pode afirmar que ele alguma vez caiu?

Fotolog