Nem um deus. Nem um mortal

Terça-feira, Abril 05, 2005


Caminhos


A cada caminho tomado, vários destinos são traçados sem a mínima compreensão tanto do coração como da mente. Cada vez que dou um passo a uma direção que eu acho certa, ela se torna errada e tentar contornar e pegar outro caminho acaba mais complicado do que se eu fosse por uma linha reta por todo o sempre. A menor distancia entre dois pontos é uma reta, mas por que teimo tanto em fazer caminhos sinuosos e pegar atalhos que em vez de levarem mais rapidamente ao meu destino, acabam me afastando dele?

Quando acho que estou no caminho certo eu encontro uma pedra no meio do meu caminho. No meio do caminho tinha uma pedra. Não só nesse caminho, mas em todos os que eu sigo, todos tem uma pedra tão comumente enorme, que o planeta pertencente ao Zeus romano ia sentir-se um pedaço complementar de um quark. Exagero? Talvez. Porém se dividir tudo pela metade ainda tem uma pedra enorme no meio do caminho. Por que não uma senhora rocha?

A cada caminho que eu adentro, eu encontro essa maldita pedra. Certa vez almejei criar coragem para tirá-la do meu caminho. Pensei, pensei e pensei por minutos que se tornaram horas, horas que se tornaram dias e dias que quase chegam a uma quinzena. Como toda equação matemática de segundo grau onde você encontra dois resultados: Um negativo e um positivo. Assim sendo a coragem apareceu para tirar a pedra do meio do caminho, mas quando penso que cheguei ao fim eu chego ao começo de algo que eu mal esperava encontrar.

Quando o real se torna irreal em nossas mentes apenas com um piscar de olhos mais rápidos que o trovejar da luz? Ultimamente venho tendo mais perguntas do que respostas. Um jogo de descoberta e medo que deixaria qualquer filosofo pré-socrático em meio termo para contradição e a negação que a cada dia que passa afirma mais nas entrelinhas do que se tivesse afirmando o obvio. Então quando eu crio coragem de afastar a pedra do meu destino eu me deparo com um problema incrivelmente pior: Os cruzamentos.

Qualquer caminho que eu pegue para o mesmo destino só tem duas saídas. Uma dualidade tão incompreensível que acaba formando dois caminhos em um labirinto sentimental que deixaria o Minotauro abismado e perplexo devido a sua complexidade em achar um traçado regular. Quando se acha uma direção e se tem um vislumbre de qual destino tomar, tudo é simplificado como a divisão de frações. Os dois caminhos vão levar a um único lugar, apesar do resultado que contrapõe a razão e a emoção ao mesmo tempo em que se alheiam a elas a coragem e o medo.

Ao me deparar com a certeza quase que absoluta sobre o que acontece entre coração e razão eu me deparo com uma porta de titânio tão macia quanto um pedaço de seda, mas tão resistente quanto uma teia de aranha. A partir dai que o coração treme a razão começa a endurecer, pois já descobri qual caminho chegarei a ti. Mas até entender o que se passa na angustia temerosa e receosa de um coração insano e apaixonado, eu ficarei parado. Não esperando que alguém abra a porta para mim, mas que você vislumbre no canto da janela que alguém está mais perdido que os cometas no espaço e tão indeciso que duas moléculas instáveis seriam o termo ideal a se comparar.

Imprevisíveis e angustiantes. São esses os caminhos da paixão...

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