Nem um deus. Nem um mortal

Quarta-feira, Julho 06, 2005


O Mundo Parou


O mundo parou naquele momento. Um momento eterno de poucos segundos. Um deus sentado sobre um penhasco no meio do nada, onde o tudo é um conceito tão indiferente quanto o passar dos segundos. A chuva caia sobre seu rosto enquanto ele contemplava uma rosa a poucos metros do seu lado. O vento levantava sua capa com calma e ferocidade. Os pingos d'agua caiam de forma dançante em volta dele ao mesmo tempo em que ele pegava aquela rosa com suas mãos calejadas e suaves. Seu rosto era forte, calmo e singelo.

O mundo parou naquele momento. Um momento curto de muitos segundos. Um deus em pé sobre um penhasco no meio de tudo, onde o nada é algo tão inexistente quanto a ferocidade dos segundos que teimam em passar. O vento repousava sobre seu ombro como uma Águia Real que descansa sobre o galho de um Carvalho. Os pingos d'agua dançavam um tango lúcido e temperamental em volta dele ao mesmo tempo em que ele fecha os olhos e sente o cheiro suave da rosa, com suas mãos serenas. Seu rosto era calmo e apaixonado.

O mundo parou naquele momento. Um momento de poucos segundos porém eterno. Um deus que deitava sobre a grama a beira de um penhasco, contemplando o raiar do sol em meio a nuvens cinzas que se desmancham como fragmentos de algodão sobre a força da luz. A chuva que ainda teimava cair trazia calma enquanto ele colocava a rosa sobre seu coração. O vento era calmo e fazia sua capa dançar levemente entre o seu corpo e a grama. Os pingos d'agua caiam com mais leveza que uma pétala de rosa cai sobre a palma da mão de uma princesa. Suas mãos fortes de guerreiro e suaves de um apaixonado repousam sobre o botão de uma rosa, enquanto seu rosto tinha um sorriso tão grande quanto o tamanho do arco de Hipofates.

Mas o mundo só parou mesmo porque ele pensava na sua amada.

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