Postado
5:31 PMpor
Taygor
Presentes Históricos, Sarcasmo, Cinismo e uma pintura de Da Vinci.
Sentado em frente ao primeiro quadro feito por Monet, ele sorve lentamente aquela taça de vinho da época em que Roma não passava de uma vila no meio do nada. Um vinho doce, temperado pelo tempo e pelo sangue daqueles que viveram para guardá-lo. Um presente de Júlio César ao irmão dele, na época em que o próprio era general de nada mais nada menos que 20, das 30 legiões de Roma em tal período. Bebendo, ele espera os outros dois que estão no recinto se pronunciarem. Enquanto isso não acontece, ele observa o local.
O Salão é todo montado com presentes de várias eras da humanidade. No canto direito da mesa de carvalho dada por George Washington, está a armadura do Grande Mestre dos Templários, toda feita de aço e ouro branco puro. No chão um belo tapete, presente de Saladino. Na parede do lado esquerdo o escudo de Leônidas, ainda marcado e rachado pela espada de Xerxes. Enquanto ele tenta entender o jogo chinês entregue por Mao Tse Tung, ele brinca com uma das moedas de prata que Judas ganhou ao trair Jesus Cristo. Perdido com tantos apetrechos curiosos e históricos ele mal percebe o guerreiro que está na Janela contemplando o horizonte. Ele não vê o rosto de expressão angustiada e ao mesmo tempo abatida. Um rosto que demonstrava que aquele homem conheceu o paraíso e não gostou nada do que viu. O olhar perdido entre as nuvens cinzas que descansam sobre o céu escuro, premeditando uma tempestade de proporções bíblicas. Ainda brincando com a moeda, ele bebe uma volumosa quantidade de vinho que faz o mesmo terminar em seu cálice. Ao terminar sua dose, ele percebe que ele estava bebendo vinho no Santo Graal. Ele sorrir com o mesmo sorriso cínico característico que é sua marca registrada e pensa "Espero que a lenda não seja verdadeira, pois se não vou viver uma vida eterna duas vezes¿. Ele põe o cálice na mesa e vai em direção ao outro homem que se encontra em frente ao livro que deu origem a todos os livros de magia branca que existem.
Em frente à bancada feita para Quéops colocar sua coroa e onde está o livro Branco, ele encosta ao lado daquele deus de armadura mais negra que a noite mais escura. Ele observa que aquele que contempla o livro está de braços cruzados demonstrando impaciência em sua postura, o que vindo dele é incomensuravelmente anormal. O tempo passa e ele continua a contemplar o salão quando seu irmão aparece entre uma porta que foi magnificamente pintada por Da Vinci. Enquanto ele tenta entender a pintura na porta, que ele não havia percebido antes seu irmão se pronuncia.
- Desculpe a demora Cavalheiros, espero que me perdoem, mas filhos nunca tomam seu tempo demais.
- Sem mais rodeios ou escusas desnecessárias. Diga, porque estou aqui? Abandonei a Terra e a humanidade a sua própria sorte há Cento e Cinqüenta anos, para poder nunca mais pisar aqui. - Pergunta o guerreiro que contemplava o céu cinza.
- Chamei vocês três aqui para pedir ajuda na minha batalha contra o Anticristo e o falso profeta.
- Não me meto nos assuntos da Terra de Deus, sabe muito bem disso. Muito menos impedir as profecias apocalípticas. - Com o olhar frio e sereno, o guerreiro da armadura negra se interpõe entre o anfitrião e o guerreiro que abandonou a Terra.
- Se vocês não me ajudarem, a Cidade Negra e o Olimpo serão atingidos pelo dia do Juízo final. Sejam homem, mulheres, deuses ou deusas. Todos irão sucumbir mais breve que o cantar de um canário.
- Sinceramente. - Interrompe o semideus que observa tudo desde que chegou ao salão - Passei mais tempo do que eu realmente queria e pretendia para trazer a destruição da humanidade e a humilhação a Capital dos Anjos, para que no tempo do canto de um canário, eu repito, no tempo do canto de um canário, dois mequetrefes que aparecem simplesmente do nada, derrubem o que eu construí tão grandiosamente como Nabucodonosor construiu a Torre de Babel, para ser destruída mais rápido que um castelo de Areia.- Os outros dois deuses fintam aquele semideus, que estava com uma expressão tremendamente sarcástica, dada a situação que se encontravam. Uma situação delicada e complicada para ambos - E você meu irmão, pede para eu te ajudar a derrotá-los!Logo a mim?
- Sim meu irmão. Não sabes o quão é humilhante para mim pedir ajuda a você. Não prolongarei esse encontro, quero uma resposta sincera e rápida de ambos. Irão me ajudar?Vocês já foram atacados pelos Anjos Caídos e sabem do que eu falo e...
Antes que ele termine sua fala e os outros dois almejem complementá-lo ou darem sua resposta, o observador interrompe.
- Sim. Atacaram-me e ficaram depenados. Ora meu caro irmão. Eles vão destruir tudo o que eu fiz mais rápido que o "canto do canário" só para trazerem o Apocalipse que os Anjos sempre temeram, estão fazendo um homem que virou um deus pisar novamente na Terra após Cento e Cinqüenta anos de reclusão no Olimpo e trouxeram o Senhor da Terra de Lúcifer em pessoa e impaciência e ainda conseguiram fazer você se humilhar e pedir ajuda a mim...
- Então sua resposta é sim?
- Muito pelo contrario!Minha resposta é não. Nunca me diverti tanto desde que coloquei a humanidade na Idade das Trevas e trespassei uma espada no seu peito em frente a Gabriel! Os dois conseguiram ganhar meu respeito mais rápido que Atila e Judas e eu nem os conheço!E você acha que vou lutar contra eles? E eles ainda por cima vão me dar uma tremenda férias. Pois pense comigo: Eles vão trazer o Apocalipse bíblico, vão destruir a humanidade pedra por pedra, alma por alma. Vão refazer a humanidade a imagem deles e você vai ficar alguns séculos lutando com os dois ao seu lado para tudo ser como antes. Daqui que vocês consigam eu vou ter um belo descanso de no mínimo meio milênio! - Sorrindo ele coloca a moeda em cima do busto de Cleópatra, pega sua capa e sai dando as costas para os três que estão atônitos e surpresos com tal resposta. Até seu irmão se pronunciar.
- Então, você não vai fazer nada?
- Errado novamente meu caro irmão. Mandarei para eles um belo cartão de natal musical com minha pintura na capa e contracapa. Se ainda existir natal. Boa tarde cavalheiros agradeço de todo o coração pelas horas de divertimento que me proporcionaram. Vou me retirar para meu Castelo ao sul da Bavária para me entreter com assuntos mais importantes, como planejar minhas vindouras férias. Adeus.
E assim ele caminha em direção a porta de magno pintada por Da Vinci e ri após entender a pintura e some em meio à escuridão do corredor daquele castelo com um pensamento na cabeça de suma importância para a ocasião:
"Esse vinho vai me dá uma tremenda dor de cabeça amanhã...¿.