Sexta-feira, Setembro 30, 2005


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Domingo, Setembro 25, 2005



Crônicas da esposa de um deus: Rotina

Era uma noite de sexta feira típica naquela cidade. Uma festa de aniversario, sorrisos, bebidas, comidas, reencontros e pessoas esquecendo de uma semana extremamente cansativa. No meio de consultores, vendedores, executivos e outras pessoas dos mais variados cargo eu cheguei com meu marido meio que atrasada devido ao transito. Convenci ele a vim de carro em vez dele inventar de me trazer voando e desfazer todo o meu cabelo. Ele gosta até, pois se sente mais "humano". Ainda não compreendi o que para ele o é ser "humano". Encontro pessoas que não vejo há tempos, ele também e noto que ele se esforça para não ler a mente de ninguém.
É a comemoração do aniversario de minha amiga de infância, que não vejo há um ano. Seu noivo conseguiu sucesso com uma banda e há pouco tempo se mudaram para a cobertura desse prédio, no vigésimo quinto andar. Enquanto todos bebem, conversam e se divertem, meu marido fica parado em frente à varanda contemplando os resquícios da luz solar no horizonte. Abraço-o e pergunto se ele está bem. Ele vira em minha direção, me dá um beijo e diz que me ama. Pergunto se ele não está me enrolando e ele diz que não, que apenas está "filtrando" os pensamentos de todos na sala. Apesar dos anfitriões serem ótimas pessoas, as demais que fazem parte do reino da musica tem uma mente um tanto quanto "deturpada", segundo ele. Brinco com ele dizendo que é inveja do sucesso do noivo da minha amiga, ele sorri e me abraça. Estou de costas para o céu, me sentindo um pássaro voando nos braços dele, quando de repente ele me soltar, segura na minha mão e manda-me correr. Não entendo o que se passa até ver aquela bola de fogo vindo em direção a nós na varanda. Ele se põe em frente de mim para me proteger, criar um protetor invisível onde o fogo não passa por ele e não corre o risco de me atingir. Vejo-o segurando aquela bola de fogo imensa com uma só mão. A sua roupa começa a pegar fogo e ninguém dentro da festa percebe o que se passa ou ouve o som infernal daquela coisa. Após tanto tempo, não consigo me acostumar que ele é invulnerável desse jeito. A roupa está em cinzas e ele sem uma única queimadura. Em questão de segundos ele apaga aquela bola de fogo com um raio que sai dos dois olhos. Penso que ele tem a visão do Superman ao contrario. Após o susto passado ele olha para mim e pergunta se estou bem. Digo o de costume, para ele não se preocupar, mas ele consegue ler minha mente. Quando ele olha de novo em direção ao horizonte, uma mulher de armadura que ele diz ser "divina", mas toda negra dá um soco que seu pé afunda no chão da varanda e racha a mesma. Nesse momento o pessoal percebe o que se passa.
Eu grito a ele que estão vindo para ele cobrir o rosto com sua armadura, mas ele não me ouve, ele agarra aquela mulher pelo pescoço e pula da cobertura. Sei que ele pode voar, mas mesmo assim vou correndo ver o que vai acontecer com ele quando várias pessoas chegam perguntando o que houve para mim. Finjo estar sem falar para não poder dá explicação e observo-o caindo em cima de um ônibus coletivo enquanto a deusa está sobrevoando em volta. Ele levanta furioso com sua armadura devidamente implantada em todo seu corpo e voa em direção àquela deusa. Não consigo ver muita coisa, pois os dois se movem na velocidade da luz (segundo ele me falou algum tempo atrás), só vejo os borrões e explosões no céu. Logo a equipe de TV chega com dois helicópteros sobrevoando o local. Viaturas da policia de choque e um minitanque antiaéreo do exercito comparecem ao local tentando minimizar a confusão. Quando olho novamente ao horizonte eu só o vejo soltando alguma coisa de energia da mão dele e ela desaparecendo rumo ao oceano. Então os dois somem da vista de todos. Agora vem a pior parte: A espera da noticia. Ele some por horas, dias, semanas, já passou um mês fora quando acontece algo assim. Mas ele sempre volta. Dou meu depoimento a policia quando ela chega. Quando ela pergunta sobre meu marido, digo que ele saiu para pedir ajuda assim que viu a briga e que devia ter se perdido na confusão na rua.
Levo duas horas para voltar pra casa por causa do engarrafamento. Na radio ouvi dizer que a briga foi parar na praça vermelha, na Rússia. Mas que já tinha tudo se normalizado. Quando chego em casa, exausta, preocupada e agoniada vou ao quarto da nossa filha ver como ela está, quando me dou por surpresa. Lá estava ele deitado na cama com ela, segurando uma revista do Superman, com ela deitada no seu peito dormindo. Não só ela, mas como ele também está dormindo. Cubro os dois e sorrio ao imaginar a cena. Apesar de tudo o que ele deve ter passado hoje, ele ainda tem tempo de ler uma revista para nossa filha e ainda colocar ela para dormir. Dou um beijo em ambos e vou para nosso quarto dormir. Quando me deparei com uma taça de vinho e uma caixa de chocolate em cima do criado mudo. Entre eles havia um bilhete:

"Minha morena,
Perdoe-me pela saída abrupta da festa da sua amiga. Eris foi dominada por uma entidade de Hades e acabou me atacando a esmo. Fui parar na Rússia, mas está tudo bem!Ah!Na volta passei em Paris e comprei essa taça de vinho e uma caixa de chocolate para ti!Espero que goste!

Te amo!"

Sorrio novamente e penso que melhor marido eu não podia ter.

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