Quarta-feira, Janeiro 11, 2006


Sacrifício - Interlúdio

Passaram-se cinco anos desde que evitei que o meteoro se chocasse com a Terra e destruísse tudo. Então de vez em quando volto para a Terra para ver como estão meus conterrâneos. Curiosamente fiz o caminho da minha antiga casa até o ponto de ônibus como se estivesse indo ao trabalho. Faço todo o trajeto milimetricamente como eu fazia até sentar na cadeira que sempre sentei, apenas para perceber que sentei do lado de uma moça que era tão parecida com minha irmã humana, mas tão parecida que parecia ser a Reencarnação dela.

Ela lia uma revista que contava em uma retrospectiva o detalhe de todos os eventos daquele dia fatídico. Eu como sempre curioso, tentei ler a revista de uma forma convencional até ela perceber e me oferecer para ler. Sorri sem graça, ela fez o mesmo o que me espantou mais ainda, pois tinha o sorriso dela. Se eu contasse a minha amada ela jamais ia acreditar. Então ela começou a conversar comigo sobre o que ela viu naquele dia. Tinha 15 anos, estava no colégio quando viu na televisão a batalha que precedeu a destruição de metade da Europa e o meteoro que apareceu do nada na atmosfera terrestre e como aquele homem salvou a tudo e a todos. Então, curiosamente ela começou a cantar.

"Se Deus tivesse um nome, qual seria?
E você o chamaria pelo nome em sua cara?
Se você estivesse em frente a Ele em toda sua glória?
O que você indagaria se tivesse apenas uma pergunta?
Sim, sim, Deus é grande,
Sim, sim, Deus é bom.
Sim, sim, sim, sim, sim...
E se Deus fosse um de nós?
Simplesmente um desajeitado como um de nós?
Simplesmente um estranho num ônibus,
Tentando fazer seu caminho pra casa?
Se Deus tivesse um rosto, como se pareceria?
E você desejaria ver."

Eu sorrio para ela e diz que ele não é Deus, e que no fundo pode ser tão humano quanto qualquer um naquele ônibus. Ela retribui o sorriso e concorda comigo, dizendo que poderia ser qualquer um, até mesmo eu. Mas o simples fato dele desaparecer e não reclamar os louros da glória para a humanidade fazem ele um verdadeiro deus com alma bondosa e acima de tudo humana.

O ponto dela chega e antes dela partir ela me faz apenas uma pergunta. "O que você diria a ele se estivesse na frente dele por um breve momento?"
Eu que eu diria o mesmo que minha irmã que desapareceu e não vejo a tempos me diria depois do trabalho na fazendo no fim do dia: "Carpe Diem". Ela sorrir e se despede me desejando sorte para encontrar minha irmã. Mas já a encontrei.

Mas deixaria de ser um desajeitado com certeza.

Fotolog


Sacrifício

Naquele momento no qual todos se esgueiravam no chão tentando acalentar a dor nos seus corpos, onde a batalha tinha terminado. Onde os feridos choravam os mortos e os demais tentavam entender o que havia acontecido, onde todos se apavoravam com a destruição de meio continente. Naquele momento onde ninguém mais tinha forças nem para se levantar, a fonte maior de destruição aparecia no meio das nuvens vindo em uma velocidade estupenda, em um tamanho estrondoso. Quase desisto de tentar fazer algo, mas meus dois maiores tesouros aparecem em cima de um prédio ao norte de onde estou. Nem mesmo eles poderiam sobreviver a o impacto desse meteoro. Só me resta um ultimo gesto para comigo, para meu filho e para a mulher que eu amo tanto.

Nesse momento eu me pergunto o que eu faria se fosse apenas um humano. Se eu não pudesse voar, não tivesse a força tão incomensuravelmente grande que ninguém sabe ao certo sua finidade. Se eu não pudesse fazer nada do que eu posso e vendo seu filho e sua esposa em perigo como eles estão. Com uma costela praticamente atravessando meu pulmão direito, meus braços e pernas tremendo e minha cabeça doendo depois de tanto baterem nela eu levanto me agarrando ao que restou da parede de uma garagem. Ando em direção a meu irmão da escuridão para dá um adeus digno. Nada falamos um para o outro, com o passar dos anos aprendemos a não falar e nem nos comunicar por telepática, apenas por um olhar. Ele sorri e diz que tem orgulho em ser meu irmão, mesmo bastardo. Ando em direção ao homem que me deu seu rosto para que eu pudesse sobreviver entre os deuses. Digo o que vou fazer e o que eu preciso que ele faça. Que treine meu filho para ser tão bom quanto nós quatro juntos e que não deixe minha melhor amiga e esposa sofrer com nada. Não há tempo para mais despedidas, tenho que voar o mais rápido em direção ao meteoro e impedir o fim de tudo, só que mais rápido que um pensamento os dois estão atrás de mim. Meu filho se agarrando a minha cintura e minha esposa em meus braços pedindo para eu ficar. Digo que faço isso não por toda a humanidade, mas por eles. Para que meu filho seja mais humano que um deus e para que a mulher que eu amo continue lutando pela verdade e justiça por toda a eternidade. Um ultimo abraço no meu filho, um ultimo e caloroso beijo em minha esposa e vou a direção ao meu destino.

Mais rápido do que a velocidade do som, quebrando as vidraças restantes nos quarteirões que ainda estão inteiros por incrível que pareça eu desapareço no céu cinzento. Não chove, mas faz muito frio e as nuvens são tão cinzas como o mar da Cidade Prateada de Luciferiel. Meus braços começam a arder com a velocidade que estou e a cada momento que passa, a cada segundo que me aproximo desse meteoro maldito é impossível não ver todos os momentos que marcaram minha vida. Tudo passa devagar, mas ao mesmo tempo tão rápido quanto eu mesmo. Então eu me pergunto como seria...

Se eu fosse apenas um humano desajeitado. Um guerreiro sem guerra. Um homem sem poderes. Um mortal.

Então agradeço a Deus os poderes que ele me deu, pois sem ele jamais salvaria minha família. Sem meus poderes jamais poderia entrar no meteoro e destruir ele com todas as forças que me restava, conseguir proteger meu corpo até o impacto no chão e antes de fechar os olhos ver e ouvir a mulher que eu amo me dizendo as três palavras que me fazem o Homem mais feliz do mundo. Eu Te Amo. Sem esses poderes eu não a salvaria para poder dizer uma vez mais que eu a amo.


Assim posso fechar os olhos e descansar em paz pra me recuperar, pois sei que quando acordar, eles estarão ao meu lado.

Fotolog


Aquele herói


Os céus estavam negros naquele fim de tarde. Parecia que o próprio sol tinha se escondido antes de se por ou até mesmo fugido do seu trono, deixando a noite adentrar mais cedo em seus domínios. E lá estava ele, naquele lugar tão alto quanto o próprio Monte Olimpo. Em cima dos mais altos prédios das mais altas estátuas erguidas para louvar Zeus e seus filhos. Em meio à tormenta que se passava em sua alma e a tempestade que alardeava a sua chegada, estava um homem de braços cruzados e entrelaçado em sua capa vermelha olhando infinitamente para o nada. Uma única pessoa sentia sua ausência do salão de festas de Dionísio. A única pessoa em que ele realmente se importava nesse mundo. Sua amada esposa.
Ela o abraçou e sentiu o frio da sua armadura através da capa. Ele não precisa olhar nos olhos dela para saber o que a aflige. Mas ele precisa olhar nos olhos de sua amada para vê-la sorrir. A única coisa que realmente sentir vivo e humano é o sorriso dela. Ela tenta, mas não consegue, pois não se conforma em ver seu marido tão estático. Ela tenta trazer ele de volta a festa de seu filho, mas ele hesita.

Hesitação.

Algo que ela nunca viu nos olhos dele nem mesmo em meio as mais temíveis batalhas. Nem mesmo em um momento que lhe definiria a vida ele jamais hesitou. Ele tenta disfarça e esconder o que não mais consegue. Ela pergunta o que aconteceu para ele não ir a festa de aniversario do seu próprio filho. Ao ser colocado na parede, ele responde com uma única frase. "Ele não quer que eu vá". Sua amada não entende porque de tamanha blasfêmia vindo de um filho para com seu pai, pede uma explicação e ele nada fala, apenas se volta para a sacada de onde estava, mas em vez de olhar para o nada, ele olha para seu punho direito. Ela pede novamente uma explicação para tal atitude antes de descer e terminar com a festa que mal começou, mas ele a segura pelo braço e diz para se acalmar. Sorrindo aquele guerreiro diz que sua amada deusa ainda tem um pavio mais curto que a pata de uma formiga. Repousando cuidadosamente a cabeça dela em seu ombro ele diz que o filho quer o pai que ele nunca conheceu na festa, o pai de que todos falam. O pai que derrotou todos os inimigos do olimpo com os próprios punhos. Aquele que enfrentou os titãs quando ainda era humano. O homem que liderou os mais heróis gregos contra os Persas. O pai que sempre lhe disseram que lutava até mesmo com todos os ossos do seu corpo quebrado. Seu pai, que era o maior deus do panteão Olimpiano e que um dia foi humano. O melhor dos humanos, o melhor dos deuses e ao mesmo tempo nenhum dos dois.

O Herói.
Aquele que não era um deus.
Nem um mortal.

Mas aquele homem se foi, resta apenas um general comodista do exercito divino, na qual nada mais é do que apenas uma mera ilustração do plantel militar Olimpiano. General dos deuses. Terceiro posto mais alto do comando dos deuses, abaixo apenas do Rei e do Conselheiro.Um homem de leis, regras, burocracia, vida pacata e por demais comodista. E esse pai, por mais que lhe dê carinho, amor, atenção e tudo o que um filho poderia querer de um pai, ainda é pouco. Sua amada o abraça e pergunta a ele o que aconteceu com o pai que seu filho tanto quer ver, mas ele teme em dá a resposta. Pois para que seu filho nascesse e sua amada estive salva ele teve que renegar o que lhe era fundamental em sua balança de equilíbrio.

Sua humanidade.

Um homem que virou um deus, era um deus que era humano. Mas era o que ele tinha de mais forte, o que sempre lhe fez poderoso. Mas o que acontece quando um deus que é humano perde sua humanidade?

Um deus mortal.

Pois era sua humanidade que lhe dava a imortalidade em termos de coração e alma e não de corpo. Então chorando ele se vira novamente para a sacada e diz não saber o que fazer. Pois não conseguia sorrir vendo seu filho e sua amada esposa sem sorrir e tristes esperando o homem que ele era voltar.

Aquele que não era um deus, nem um mortal.


Fotolog

Terça-feira, Janeiro 10, 2006


2006
Vou tentar reeguer esse blog!
Mudar o template, postar todos os dias, colocar mais coisas do cotidiano...

Planos, planos e planos...

Fotolog