Quarta-feira, Março 29, 2006


Voando nas nuvens


Voar
Voar como um corvo sem pressa e sem destino
Voar
Voar como um falcão voa ao fugir de si mesmo após não conseguir seu objetivo
Voar
Voar como avião sem asas rumo ao desconhecido e subindo ao invés de cair
Voar
Voar como o boneco de papel de um pobre menino
Voar
Voar além de qualquer lugar que alguém já ousou ir
Apenas voar parar não sentir que estou vivo

Voar sem pensar, sem ouvir, sem sorrir, sem falar, sem gritar, sem sentir, apenas voar. Pois se eu pensar fico mais pesado que o aço, se eu ouvir fico mais instável que um guarda-chuva no meio de um tornado, se eu falar fico mais irracional que um animal, se eu gritar posso ser ouvido ser puxado de volta para a terra, se eu sentir posso pecar e se preso no inferno. Mas às vezes, mesmo esquecendo tudo isso, pareço voar sem asas. E sem asas entro em queda livre dentro de mim o que me faz ir além dos limites do que posso compreender e o pior do que posso agüentar. Explodo dentro da minha mente em agonia, em desespero, em jubilo eterno por algo que não se acerta no destino traçado para minha sina.

A ironia do destino. Voar no céu negro e eterno, mas cair eternamente na escuridão da incerteza irracional da mente.

É por isso que minha mente fica longe do meu corpo quando estou voando. Pois ela pesa minha alma com as obrigações da humanidade e as incertezas do destino humanas. Tão longe que nada é capaz de trazê-la para perto de mim. Ela é repelida por algo tão semelhante e forte quanto os pólos magnéticos.

A única coisa que destrói os males e traz o bem a tudo e a todos
A única coisa que me conforta mais que a chuva
A única coisa que me alegra mais que a luz da lua
A única coisa que me faz viver
A única coisa que me faz voar
A única coisa que me faz feliz

O amor
E aquela que eu amo

Pois sem eles dois eu não poderia mais voar. O combustível e a piloto dos meus vôos.
E é por eles dois que continuo a lutar...
E a voar.

Pois não existe nada melhor que amar...

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